O banco Digimais, vinculado ao bispo Edir Macedo, foi notificado pelo empresário Roberto Campos Marinho Filho para recomprar mais de R$ 460 milhões em ativos considerados sem lastro, usados no Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) EXP 1, criado em fevereiro de 2025 com cerca de R$ 720 milhões.
Segundo a notificação, uma auditoria realizada identificou mais de 20 mil Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem documento correto, totalizando quase R$ 315 milhões. Esses papéis estariam ligados a empréstimos consignados de três instituições que, meses depois, enfrentaram crises financeiras: o Banco Master, o Reag e a holding Fictor, que entrou em recuperação judicial.
Marinho Filho acusa o Digimais de vícios contratuais e de apropriação indevida ao redirecionar recursos que deveriam ser destinados ao fundo. O banco, em resposta, nega qualquer responsabilidade e afirma que a origem dos empréstimos e os problemas observados cabem às instituições financiadoras.
O embate ocorre antes da amortização das cotas do EXP 1, prevista para 28 de fevereiro. Parte dos valores associados às empresas envolvidas está bloqueada judicialmente, o que pode comprometer a liquidação dos investidores e aprofundar a tensão já causada pelas falências do Banco Master e do Reag pelo Banco Central.






