O anúncio da filiação do ex-prefeito Berto Silva ao MDB, com o respaldo do ex-senador Álvaro Dias, seu companheiro de outras “empreitadas” e já o lançando como pré-candidato a deputado estadual, escancarou o que muitos nos bastidores já comentavam: a fragilidade do MDB em nível estadual.
O partido, dizem críticos, virou uma vitrine de “ex”: ex-prefeito, ex-senador, ex-isso, ex-aquilo. Pouca renovação, muito passado.
Sobre Álvaro Dias, aliados ainda falam em disputa ao Senado, mas adversários são diretos: depois do revés na última eleição, a missão seria quase impossível diante de nomes como Sergio Moro, Deltan Dalagnol e Cristina Graeml ou ainda Filipe Barros, que largam com maior capital eleitoral.
Já Berto Silva enfrentaria um cenário ainda mais duro. Nos cálculos de analistas, teria dificuldade para ultrapassar a marca dos 9 mil votos em todo o Paraná. Sem apoio consolidado de prefeitos, distante até de antigos aliados e ex-vereadores de sua própria base, carrega ainda o peso de processos judiciais, condenações e promessas não cumpridas que desgastaram sua imagem.
O episódio do comício de 2024, quando chamou professores de “casta superior”, também não saiu da memória política recente e segue sendo lembrado por adversários. E aí vem questão Lopesco, Agrolaranjeiras e por aí vai…
Lembrando que seu vice, Valdemir Scarpari, tem compromisso com Ademar Traiano, que lhe concedeu um cargo bastante confortável na Casa Civil do Governo do Paraná — daqueles que não exigem bater ponto todo dia em Curitiba. Já a vereadora Valeide Scarpari também estará praticamente obrigada a pedir votos para o aliado deputado estadual, afinal, seu marido ocupa um alto cargo no Detran local e, como todos sabem, os cargos do Estado nos municípios são definidos por quem teve mais votos na última eleição. A vereadora ainda enfrenta o problema de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) perante o ocorrido na véspera da eleição com seu outro irmão e os R$ 53 mil reais encontrados com ele.
Com os votos divididos, o cenário pode favorecer o crescimento de Artagão Júnior tanto em Laranjeiras do Sul quanto na região da Cantu, já que ele contará com o apoio total da atual gestão de Jaison Mendes — e de peças-chave na estrutura política da região, como demais prefeitos, vereadores e secretários de outros municípios.
No cenário estadual, a avaliação mais ácida é clara: Berto hoje é irrelevante. Não por acaso, desde o fim do mandato, seu nome pouco apareceu em articulações de peso. Porém, um político de algo quilate da Cantu já teria avisado no passado que ventos de Quedas do Iguaçu e Catanduvas estariam articulando algo contra Traiano. Parece que isso está se dando ao seu primeiro passo.
Resta a pergunta que ecoa nos bastidores: a pré-candidatura é projeto real ou estratégia para puxar votos a outro nome da chapa? Ou seria apenas disposição para enfrentar um vexame nas urnas?
A corrida começou — mas, para alguns, já começou atrás.
Fonte: Fatos e Boatos do Iguaçu/Adaptado por Pio do Jacu







