O Governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, manifestou forte desaprovação ao discurso do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada no último fim de semana em São Paulo. Kicillof, que é um dos principais opositores políticos de Milei, considerou as declarações do presidente argentino como motivo de "vergonha alheia".
Em uma publicação nas redes sociais, Kicillof condenou os ataques de Milei direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e ao Brasil como um todo. "Assistimos com vergonha alheia ao presidente Milei ofender e insultar o governo brasileiro, seu presidente e toda uma nação. Da província de Buenos Aires, reafirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e está comprometida com a integração regional", escreveu o governador.
As críticas de Kicillof surgiram após Milei ter se referido a Alexandre de Moraes como "lixo careca" e ter chamado Lula de "presidiário". Essas declarações ocorreram em meio a um contexto em que o ministro do STF havia proibido a visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A repercussão negativa levou o Itamaraty a convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, numa demonstração de protesto diplomático.
Além das críticas públicas, Kicillof informou que também conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Durante essa conversa, o governador transmitiu a mensagem de que a postura adotada por Milei não reflete o pensamento da população argentina. "Milei não representa o sentimento do povo argentino", afirmou Kicillof.
O governador, que já foi ministro da Economia durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, destacou que as provocações feitas por Milei podem comprometer investimentos, exportações e milhares de empregos na Argentina. Ele ressaltou que a relação com o Brasil exige responsabilidade e não provocações, referindo-se ao apoio que Milei tem dado a um candidato a mando de Trump.
Kicillof finalizou sua mensagem reiterando que a Argentina deve continuar a respeitar seus países vizinhos e buscar a integração regional, em oposição aos ataques verbais promovidos por Milei. Essa situação evidencia a tensão nas relações entre os dois países e a necessidade de um diálogo respeitoso e construtivo.







