O Avante é uma legenda que se posiciona no centro do espectro político, adotando uma postura pragmática em suas alianças conforme o contexto eleitoral e a dinâmica de forças no Congresso Nacional. Recentemente, o partido ganhou destaque ao anunciar o escritor Augusto Cury como candidato à Presidência da República para 2026, buscando se apresentar como uma opção viável em meio à polarização política que caracteriza o atual cenário brasileiro. Para o eleitor, entender o funcionamento do Avante é crucial para perceber como siglas de médio porte conseguem sobreviver, negociar influência e garantir acesso ao fundo eleitoral sem se prender a ideologias rígidas.
A trajetória do Avante começou muito antes de sua atual denominação. Fundado em 1989 como Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), a sigla surgiu de uma dissidência de membros do antigo PTB que não concordavam com a direção da legenda em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Durante quase trinta anos, o PTdoB atuou como um partido de pequeno porte, focando principalmente nas eleições de prefeitos e vereadores, com pouca relevância nas negociações a nível federal.
A transformação mais significativa ocorreu em 2017, quando, diante de uma crise de representatividade e do desgaste da classe política tradicional, a direção do partido decidiu mudar seu nome para Avante. Essa mudança foi parte de um movimento mais amplo na política brasileira, onde várias legendas abandonaram nomes que incluíam a palavra "partido" e siglas antigas, optando por denominações que soassem mais como movimentos ou ações. O objetivo era atrair um eleitorado mais jovem e distanciar a imagem do partido dos antigos modelos de caciquismo.
No cotidiano do Legislativo, o Avante se comporta como um típico partido pega-tudo, conceito utilizado na ciência política. Isso significa que a legenda não exige que seus parlamentares sigam rigidamente pautas liberais ou estatizantes. A atuação do partido é guiada pela governabilidade e pelas composições regionais, permitindo uma flexibilidade que é essencial em um cenário político complexo.
A questão sobre se o Avante é um partido de direita ou de esquerda é respondida pela sua própria definição. Oficialmente, a sigla se coloca no centro, fundamentando-se em princípios como o nacionalismo cívico, o solidarismo cristão e a justiça social. Esses conceitos abrangentes permitem a inclusão tanto de parlamentares com visões conservadoras quanto de deputados que priorizam políticas de bem-estar. A agremiação evita rótulos fechados e busca liberdade para formar maiorias governamentais, independentemente de quem esteja na Presidência da República.
O sistema político brasileiro, caracterizado pelo presidencialismo de coalizão, leva partidos como o Avante a adotar uma postura de moderação e contínua negociação. Focando em resultados práticos em nível local e na ampliação de sua rede de prefeitos e vereadores, a legenda se afirma como um ator relevante na governabilidade, atuando como um elo fundamental para a aprovação de leis e manutenção do equilíbrio entre as forças institucionais.





