Os dados parciais das eleições municipais realizadas na quinta-feira, 7, no Reino Unido, revelam um avanço significativo do Reform UK, partido de direita, em áreas onde tradicionalmente o Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Keir Starmer, obtinha vitórias, especialmente no norte e no centro do país.
Sob a liderança de Nigel Farage, arquiteto do Brexit, o Reform UK adotou um discurso forte contra a imigração e conquistou centenas de cadeiras em conselhos municipais em toda a Inglaterra. Embora a apuração ainda esteja em andamento, o jornal americano The Wall Street Journal destaca que esse resultado pode ser uma das maiores reestruturações do sistema político britânico em um século.
O Reform UK tem se dirigido especificamente aos eleitores da classe trabalhadora e da classe média, prometendo restringir a imigração, abandonar políticas de energia verde e realizar cortes em gastos governamentais considerados desnecessários. Essa proposta ressoa em um cenário em que os salários reais permanecem estagnados e a imigração ilegal atinge patamares elevados, enquanto os eleitores expressam crescente descontentamento com os partidos tradicionais após anos de crescimento econômico lento.
"O melhor ainda está por vir", declarou um entusiasmado Farage, ao saudá a mudança histórica na política britânica. Por outro lado, Starmer, classificado como um dos líderes mais impopulares da Grã-Bretanha nos tempos modernos, reconheceu que o resultado foi doloroso, mas reafirmou seu compromisso de continuar lutando.
Além do Reform UK, o Partido Verde também teve um desempenho notável, especialmente em Londres, atraindo o eleitorado jovem e comunidades muçulmanas que se mostram insatisfeitas com a postura do governo de Starmer em relação ao conflito em Gaza. Os Verdes ampliaram suas propostas, defendendo temas como justiça social, serviços públicos e apoio a imigrantes.
Embora o foco principal das eleições tenha sido a escolha de representantes para serviços municipais, como coleta de lixo e bibliotecas, as divisões políticas nacionais e questões globais também influenciaram as votações. Até o momento, os resultados revelam que o Reform UK superou 350 cadeiras, em contraste com as 249 do Partido Trabalhista, que perdeu 245 assentos nas regiões inglesas.






