A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está discutindo uma proposta de instrução normativa que visa estabelecer procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, conhecidos como canetas emagrecedoras. Essa discussão ocorre em meio ao aumento do uso indiscriminado e do comércio ilegal desses medicamentos, que só podem ser adquiridos com receita médica.
De acordo com a Anvisa, o crescimento do mercado ilegal inclui versões manipuladas sem autorização, o que representa riscos à saúde da população. Para enfrentar essa situação, a agência tem implementado diversas medidas de controle e também criado grupos de trabalho para garantir a segurança dos pacientes que utilizam esses medicamentos.
Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) se uniram à Anvisa na assinatura de uma carta de intenção. O objetivo é promover o uso seguro e racional das canetas emagrecedoras, prevenindo riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares e zelando pela saúde da população brasileira.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) destacou que esses medicamentos são eficazes no tratamento da obesidade, representando um avanço significativo em relação a opções anteriores que apresentavam resultados menos eficazes e seguros. Estima-se que a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação dessas canetas esteja desalinhada com a demanda do mercado nacional, conforme levantamento da Anvisa.
Embora os medicamentos ofereçam benefícios, é importante ressaltar que podem apresentar efeitos colaterais, sendo os principais náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais. Para garantir um uso seguro, os médicos ressaltam quatro pilares fundamentais: o uso de um produto legal e seguro, a prescrição médica, a escolha de estabelecimentos de venda confiáveis e a adesão às dosagens corretas conforme orientação profissional.
Cerca de 30% a 40% dos pacientes podem sentir náuseas, mas isso não é uma regra, já que entre 60% e 70% das pessoas não apresentam efeitos colaterais. Assim, a ausência de reações adversas não significa que o medicamento não esteja funcionando, evidenciando a importância de acompanhamento médico durante o tratamento.





