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A rápida evolução da indústria e suas consequências na moda

A transformação na indústria da moda, impulsionada pela velocidade de produção, resultou em uma diminuição significativa da qualidade das roupas. Este fenômeno, que começou na década de...

A percepção de que as roupas modernas, como uma camiseta, desbotam após poucas lavagens, enquanto peças mais antigas permanecem intactas por décadas, não é mera coincidência. Essa mudança na qualidade das vestimentas remonta à década de 1970, quando o poliéster e outros tecidos sintéticos começaram a ganhar popularidade. A produção desses materiais, mais acessíveis e fáceis de fabricar em larga escala, democratizou a moda, mas também facilitou a criação de produtos com menor qualidade e menos cuidados artesanais.

Nos anos 1980, um novo conceito começou a se estabelecer: a obsolescência programada. Além disso, surgiu a obsolescência percebida, que sugeria que as roupas poderiam ser descartadas não apenas quando se estragavam, mas também quando se tornavam visualmente ultrapassadas. Essa tendência se intensificou na década seguinte, com a chegada da Zara, que revolucionou o varejo ao encurtar o ciclo entre a criação de uma coleção e sua disponibilidade nas lojas para cerca de quinze dias, alterando o calendário tradicional da moda que antes se baseava em meses.

A pandemia trouxe um novo impulso a esse cenário, com o crescimento das ultra fast fashions, que, principalmente por meio de empresas asiáticas e do comércio digital, passaram a lançar centenas de novos itens diariamente. Atualmente, um consumidor médio nos Estados Unidos adquire cerca de 53 peças de roupa por ano, um número que representa aproximadamente quatro vezes mais do que no início dos anos 2000. No Brasil, a média anual é de 28 peças, enquanto nos anos 1980, esse número era próximo de oito.

Esse aumento no consumo gerou uma elevação na produção, que por sua vez exigiu uma velocidade maior na fabricação. A consequência disso foi a redução da qualidade das peças, que agora têm uma vida útil média de apenas seis meses. Muitas roupas são criadas com um prazo de validade embutido, apresentando tecidos mais finos, costuras simplificadas e acabamentos de menor qualidade, em um modelo de negócio que depende da recompra constante por parte dos consumidores.

Entretanto, nem todos os efeitos dessa transformação são negativos. Apesar da crescente velocidade do consumo, há um aumento do interesse por brechós, roupas vintage e marcas que investem no conceito de slow fashion, que prioriza a qualidade e a durabilidade em vez da quantidade e da rapidez na produção.

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