Censo 2022 revela que 8% da população iguaçuense vive em assentamentos precários, expondo graves desigualdades urbanas e infraestruturais.
Dados do Censo 2022 do IBGE revelam que 22.741 pessoas, 8% da população de Foz do Iguaçu, residem em 33 favelas, enfrentando desafios urbanos significativos.
Foz do Iguaçu, conhecida mundialmente por suas Cataratas e pela Usina de Itaipu, esconde uma realidade social contrastante. Dados exclusivos do H2FOZ, extraídos de um recorte recém-divulgado do Censo 2022 pelo IBGE, revelam a existência de 33 favelas e comunidades urbanas na cidade, onde residem 22.741 pessoas, o que representa cerca de 8% da população total.
Este levantamento expõe um abismo entre a imagem de cartão-postal e a urgência de questões sociais que demandam atenção imediata.
Entre as comunidades identificadas, a Vila Bubas, localizada na Região Sul, mantém-se como a mais populosa, um dado já conhecido. Contudo, o censo aponta que outras seis localidades também superam a marca de mil moradores.
Elas estão distribuídas estrategicamente por diversas regiões da cidade, incluindo Portal da Foz, duas áreas em Porto Meira (Profilurb e Morenitas), Jardim Jupira, Jardim São Paulo e Jardim Canadá/Vila Brás, evidenciando a amplitude do fenômeno em Foz do Iguaçu.
Os números do Censo 2022 aprofundam a compreensão sobre o impacto das desigualdades no cotidiano dos iguaçuenses. A infraestrutura básica nas favelas é notavelmente inferior: enquanto 98,1% das vias fora dessas comunidades suportam o tráfego de caminhões e ônibus, essa proporção cai para 78,8% dentro delas. Este indicador é crucial, pois o acesso facilitado por veículos é essencial para a prestação de serviços básicos, desde a coleta de lixo até o atendimento em saúde.
Desafios Urbanos e Demográficos
A disparidade se estende à iluminação pública, com cobertura de 99,2% fora das comunidades, mas apenas 79,5% nas favelas. Soma-se a isso a escassez de árvores nas vias, a ausência de rampas para cadeirantes e a alta incidência de obstáculos que comprometem mais da metade das calçadas existentes, dificultando a mobilidade e a qualidade de vida dos moradores.
O retrato demográfico traçado pelo IBGE revela que mais de oito mil pessoas, ou 36% do total de moradores dessas comunidades, são jovens com até 19 anos, sublinhando a vulnerabilidade dessa parcela da população. A composição étnico-racial também é marcante: 56,7% dos residentes se declaram pardos (50,2%) ou pretos (6,5%), em contraste com 42,9% que se identificam como brancos.
Historicamente, Foz do Iguaçu experimentou um crescimento populacional acelerado entre as décadas de 1970 e 1980, impulsionado pela construção da Itaipu Binacional. Esse fenômeno resultou na expansão e no inchaço das periferias.
Desde então, a cidade tem lidado com problemas estruturais empurrados por gestões subsequentes, muitas vezes marcadas por populismo e oportunismo político. A persistência dessas desigualdades urbanas e sociais exige um projeto de cidade mais coeso e urgente, que vá além das promessas e enfrente a realidade de suas comunidades mais vulneráveis.






