Unila lidera mobilização em Foz do Iguaçu, unindo-se a 69 instituições federais para combater feminicídios e assédios.
Universidades federais, incluindo a Unila, intensificam mobilização nacional contra a violência política e de gênero, com atos e discussões urgentes sobre feminicídios e desigualdades institucionais.
A incidência da violência contra a mulher tem mobilizado coletivos e instituições por todo o país. Em Foz do Iguaçu, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) aderiu a esse movimento e realizou, na quinta-feira, 4 de dezembro, um ato no Campus Integração.
Com a chamada “Chega de feminicídios, Chega de violência”, o evento reuniu cerca de 60 pessoas para lembrar os mais recentes casos de mortes envolvendo mulheres no Brasil, marcando um importante passo na luta contra a violência política e de gênero.
A iniciativa partiu da reitora da Unila, Diana Araújo, que integra a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Nos últimos meses, reitoras e vice-reitoras iniciaram um movimento para fortalecer a questão de gênero na Andifes e nas universidades federais.
Diana Araújo enfatiza a intenção de fortalecer o diálogo com a sociedade e com a comunidade interna da Unila sobre a vergonha de ainda se falar sobre feminicídios e a necessidade de homens e mulheres terem os mesmos direitos de cidadania, sociais, políticos e afetivos. O evento na Unila já é resultado dessa mobilização da Andifes, que projeta ações conjuntas com 69 universidades brasileiras.
Durante o ato, foram mencionados casos recentes de feminicídios, como o assassinato das servidoras públicas do CEFET Maracanã no Rio de Janeiro, Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro. Também foram lembradas Catarina Kasten (UFSC), Tainara Souza Santo, Christina Maciel de Oliveira (mulher trans) e Martina Piazza (ex-aluna da Unila). O evento também fez parte da campanha 21 Dias de Ativismo, que se estende até 10 de dezembro, reforçando a urgência da pauta.
Acolhimento e o papel das instituições
A Unila demonstra seu compromisso através do Departamento de Equidade de Gênero e Diversidade (Deged), que oferece acolhimento e encaminhamento a alunas, servidoras e professoras que sofrem violência, conectando-as à rede antiviolência da cidade. A coordenadora da Patrulha Maria da Penha de Foz do Iguaçu, Maristela Bail, presente no ato, revelou que dos 2.300 medidas protetivas em vigor na cidade, 1.500 são acompanhadas pela patrulha, evidenciando a persistência da violência.
Em nota assinada por professoras do Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPGICAL/ILAESP) da Unila, foi expressa preocupação com a persistência de assédios, desqualificações e menosprezo a mulheres em ambientes de trabalho, mesmo com a expressiva presença feminina em posições de liderança. A nota ressalta que “Não é incomum que docentes, pesquisadoras, gestoras e extensionistas sejam assediadas, desqualificadas ou menosprezadas em seus diversos trabalhos”, e conclui que “É urgente que os homens busquem letramento de gênero” para construir ambientes mais seguros, respeitosos e equitativos.
Os eventos dos 21 Dias de Ativismo prosseguem em Foz do Iguaçu, com atos programados para o dia 10 de dezembro na Itaipu Binacional e no campus Jardim Universitário da Unila, mantendo a discussão ativa e buscando soluções para a erradicação da violência contra a mulher.






