Reportagem de 1996 destaca participação feminina no mercado e desafios na fronteira trinacional
Em uma reportagem abrangente, baseada em dados censitários, no ano de 1996, o jornal Ponte da Amizade, que circulava na fronteira trinacional, retratava a força e os desafios da mulher paraguaia na virada do milênio.
Em 1996, o jornal Ponte da Amizade, que circulava na fronteira trinacional, publicou uma reportagem baseada em dados censitários que retratava a força e os desafios das mulheres paraguaias na virada do milênio. A matéria, assinada por Ana Maria Mejia, apontava que, no Paraguai, apenas 24 % das mulheres estavam formalmente empregadas, em contraste com 76 % dos homens,
Enquanto os brasileiros buscavam eletrônicos, as mulheres paraguaias cruzavam diariamente a fronteira para vender alimentos como a sopa paraguaia, a chipa e ervas medicinais em Foz do Iguaçu. Clara Volgado testava o mercado em Ciudad del Este, e Marialice Acunha, grávida, descreveu a violência doméstica, dizendo que o marido “só batia quando bebia”.
A reportagem também relembrou a Guerra do Paraguai, ressaltando que as mulheres foram a principal força de reconstrução do país. Em 1996, a legislação ainda punia o adultério contra as mulheres e omitia o assédio sexual no trabalho para evitar demissões.
A sindicalista Miguela Nunes denunciou que, apesar de serem maioria no comércio, as mulheres eram excluídas das decisões e tinham seus direitos negligenciados pela polícia. Para essas mulheres, o Ponte da Amizade era uma corda bamba: um caminho necessário para o sustento, exigindo equilíbrio entre tradição histórica e urgência da sobrevivência diária.






