A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Azzardo, que investiga um esquema de exploração de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em bens e valores dos investigados. Cerca de 200 policiais civis cumprem 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros cinco estados: São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. São 24 mandados no DF e 26 nas demais unidades da Federação.
As investigações começaram há cinco meses, após informações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda identificarem plataformas de apostas que funcionavam sem autorização federal. Segundo a PCDF, o grupo utilizava empresas de fachada e cadastros em nome de terceiros para receber e movimentar o dinheiro das apostas, principalmente por meio de transferências via Pix. Parte dos valores era redistribuída entre pessoas físicas, empresas e instituições de pagamento, com conversão em criptomoedas para dificultar o rastreamento.
Os policiais identificaram empresas registradas com atividades sem relação com apostas, incluindo estabelecimentos descritos como clínica de assistência psicossocial e loja de artigos de tarô. Em alguns casos, diferentes empresas compartilhavam telefones e endereços. Uma fintech com sede em São Paulo também é investigada por receber pagamentos das plataformas. Dados financeiros apontaram movimentação de aproximadamente R$ 1 bilhão envolvendo a instituição e empresas relacionadas. A fintech e seus dirigentes estão entre os alvos da operação.
Além do bloqueio de até R$ 3,483 bilhões, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, a suspensão de inscrições no CNPJ e registros comerciais de 100 empresas e a proibição de abertura de novas contas bancárias pelos alvos durante 90 dias. Também foram autorizadas a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas, além do sequestro de veículos de alto padrão.
A operação busca identificar os responsáveis pelas plataformas digitais, esclarecer a movimentação financeira e dimensionar possíveis prejuízos aos apostadores. Os investigados poderão responder por crimes relacionados à exploração ilegal de apostas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Conforme a Polícia Civil, as penas somadas podem chegar a 33 anos de reclusão, dependendo dos crimes identificados.





