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Gangues de surfe: como o localismo virou violência em praias pelo mundo

Grupos como Bay Boys, Da Hui e Bra Boys impuseram regras próprias em picos famosos, com agressões, vandalismo e confrontos que marcaram a história do esporte....

Grupos de surfistas que reivindicam a posse de determinadas ondas transformaram o localismo em episódios de violência verbal e física, destruição de equipamentos e até confrontos com a polícia. O fenômeno, que começou a ganhar contornos organizados na Califórnia, se espalhou por Havaí e Austrália, com gangues que ficaram conhecidas pela agressividade contra quem não era do local.

Os Bay Boys, de Palos Verdes States, na Califórnia, surgiram em 1960 e se tornaram um dos grupos mais antigos do gênero. A fama veio do vandalismo, do assédio verbal e do arremesso de pedras contra visitantes em Lunada Bay. A polícia ignorou o problema por muito tempo, mas processos judiciais com multas entre US$35.000 e US$90.000 e a proibição de frequentar a praia por um ano enfraqueceram o grupo a partir de 2023. As autoridades também removeram estruturas de pedras ilegais dos penhascos e instalaram bancos e placas de boas-vindas.

Em 1975, no Havaí, nasceu o Da Hui, que significa "o clã" ou "clube" em havaiano, em North Shore, Oahu. Conhecidos como The Black Shorts pelos calções pretos que usavam, os membros enfrentaram surfistas australianos e sul-africanos e empresas que tentavam controlar terras da região. O grupo reúne mais de 400 integrantes, incluindo surfistas profissionais, e deu origem a uma marca de roupas homônima. O documentário Bustin Down The Door retrata esse período, e a agremiação organiza eventos comunitários até hoje.

Na Austrália, os Bra Boys surgiram em 1990, em Maroubra, Sydney, e ficaram conhecidos como a gangue de localismo mais violenta do mundo. O documentário de Russell Crowe, de 2007, mostrou os três irmãos Abberton e o lado sombrio do grupo, que tem tatuagens com o código postal 2035. Em 2002, uma briga com repercussão nacional deixou 44 policiais feridos e envolveu 160 membros. Hoje, os Bra Boys têm cerca de 300 integrantes de diferentes gerações e dizem focar no apoio mútuo, no combate ao bullying e no acolhimento de jovens marginalizados.

Outros grupos marcaram época, como o Wolfpak, formado majoritariamente por surfistas de Kauai que impuseram hierarquia em Pipeline a partir de 2001, e que perdeu força com tragédias pessoais e uso de drogas. O tema também chegou ao cinema em The Surfer, com Nicolas Cage, lançado em 2024 e ambientado Na Austrália. No Rio de Janeiro, relatos de surfistas expulsos da água mostram que a tensão também existe em picos cariocas.

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