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El Niño pode superar intensidade histórica registrada em setembro

Super El Niño está em ação. Imagem ilustrativa – Foto: undefined O El Niño deve ganhar ainda mais força em outubro e pode superar a intensidade registrada...


Super El Niño está em ação. Imagem ilustrativa –

O El Niño deve ganhar ainda mais força em outubro e pode superar a intensidade registrada em setembro, quando o fenômeno atingiu níveis considerados históricos. A previsão consta no Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo o relatório, há 95% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte no trimestre formado por outubro, novembro e dezembro, período de transição entre a primavera e o verão.

Conforme a CNN, no Brasil, os efeitos devem variar conforme a região. A previsão indica chuvas acima da média no Sul e em parte do Sudeste, aumentando a possibilidade de elevação do nível dos rios e ocorrência de cheias.

Já no Centro-Sul, Norte e Nordeste, são previstas condições mais secas em algumas áreas, o que pode favorecer o aumento do risco de incêndios e queimadas.

O cenário também deve favorecer a formação de ciclones extratropicais e o avanço de frentes frias sobre o Centro-Sul do Brasil e países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Uruguai.

Impactos no Brasil

De acordo com previsões do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), existe 75% de possibilidade de que o episódio alcance uma intensidade histórica, superior à registrada em 1950. O cenário também considera um aumento de 2,5°C ou mais no Índice Oceânico Relativo, parâmetro utilizado para medir a intensidade do fenômeno.

No Brasil, o El Niño pode contribuir para a ocorrência de eventos extremos, como alagamentos, deslizamentos, secas, queimadas e danos a plantações. Os impactos, no entanto, variam de acordo com a região e com as condições meteorológicas de cada período.

O meteorologista Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus Meteorologia, afirma que a influência do fenômeno deve continuar até o início de 2027.

“O El Niño segue ganhando força, ou seja, a anomalia do Pacífico na região central continua aumentando e, assim, deve ficar ainda mais forte em outubro. Os efeitos no país seguem fortes no Sul e em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, com previsão de chuvas bem acima do normal. Eventos de chuva intensa, granizo e vendaval devem continuar ocorrendo nas próximas semanas nessas áreas”, explica.

Calor extremo

Além dos efeitos sobre as chuvas, o El Niño deve contribuir para temperaturas mais elevadas em diferentes regiões do planeta.

Uma projeção publicada pela Climate Impact Lab estima que as altas temperaturas associadas ao fenômeno podem provocar cerca de 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação com um ano considerado normal.

O Brasil aparece entre os cinco países que, segundo o levantamento, podem ser mais afetados, com uma estimativa média de 13 mil mortes no período.

A projeção também aponta que o fenômeno pode provocar 44% mais dias de calor extremo do que o esperado em um ano normal.

O que é o El Niño?

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico apresentam temperaturas acima da média. O aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de umidade, afetando os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. O fenômeno pode favorecer períodos de chuva intensa e alagamentos no Sul, enquanto outras áreas podem enfrentar períodos mais secos, com impactos sobre reservatórios, agricultura e ocorrência de queimadas.

Em condições normais, os ventos predominantes no Pacífico sopram de leste para oeste, levando águas mais quentes em direção à Oceania e à Indonésia. Com o El Niño, esse padrão é alterado pelo aquecimento das águas do Pacífico, provocando mudanças na circulação atmosférica e na distribuição de umidade.

Essas alterações podem gerar efeitos climáticos que ultrapassam a região do Pacífico e influenciam o clima em diferentes partes do planeta.



Fonte:A Rede PG

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