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O poder feminino nas urnas e sua escassez nas decisões políticas

Com 52,81% do eleitorado, mulheres se mostram maioria nas urnas, mas ocupam apenas 18% das cadeiras na Câmara e menos de 20% no Senado. A disparidade entre...

No próximo domingo, 83,8 milhões de brasileiras terão a oportunidade de votar, representando 52,81% do total do eleitorado. Apesar dessa maioria nas urnas, observa-se que as decisões políticas são predominantemente tomadas por homens. Atualmente, as mulheres ocupam apenas 18% das cadeiras da Câmara dos Deputados e menos de 20% dos assentos no Senado.

Esse cenário levanta questões sobre a representatividade feminina nas esferas de poder e a necessidade de mudança nas relações de decisão. Um exemplo cotidiano ilustra bem essa realidade: uma mulher que deixa a filha na creche e enfrenta desafios diários, como transporte e segurança, enquanto tenta conciliar trabalho e responsabilidades familiares. Essas situações, que afetam diretamente a vida das mulheres, são discutidas em espaços majoritariamente ocupados por homens.

Os temas abordados por parlamentares, como creches, transporte público, saúde e segurança, têm um impacto profundo na vida das mulheres. Embora deputados e senadores não estejam diretamente responsáveis pela administração desses serviços, suas decisões influenciam a alocação de recursos e a formulação de políticas públicas. Por isso, a presença feminina nesses espaços é fundamental para que as necessidades e prioridades das mulheres sejam devidamente consideradas.

Estudos realizados na Universidade de Brasília indicam que, mesmo com menos de 20% de representação, as mulheres foram responsáveis por quase 30% das propostas relacionadas a questões de gênero, evidenciando a importância de sua participação. Além disso, pesquisas em municípios demonstram que a presença de prefeitas está relacionada à contratação de mais profissionais de saúde e educação, à melhoria do atendimento pré-natal e à redução da violência contra mulheres.

É preciso reconhecer que as mulheres não constituem um bloco político homogêneo. Fatores como partido, região, trajetória, raça e classe influenciam suas decisões e prioridades. No entanto, é imprescindível que suas experiências e vozes sejam incorporadas nos espaços onde as políticas são definidas.

Assim, no próximo domingo, quando novamente forem maioria nas urnas, as mulheres precisam refletir sobre a importância de sua representação nas decisões políticas. Com quase 53% do eleitorado, elas ocupam pouco mais de um terço das candidaturas e menos de um quinto das cadeiras da Câmara e do Senado, o que evidencia a necessidade de uma mudança significativa nesse panorama.

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