O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou nesta sábado (26) sua indignação em relação à divulgação de mensagens que envolvem o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto das investigações sobre o Banco Master. Mendes afirmou que essa exposição prejudicou a imagem de Gonet e levantou questionamentos sobre decisões tomadas durante a apuração, especialmente o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
A declaração do ministro ocorreu após o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) ter analisado, na sexta-feira (25), uma representação de deputados do Partido Novo que pedia o afastamento de Gonet das investigações e a investigação de sua atuação no caso do Banco Master. Para Gilmar Mendes, a decisão do Conselho confirmou que não existiam elementos que impedissem o procurador-geral de continuar suas atividades nos processos relacionados ao caso.
"A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público", afirmou Mendes em sua postagem.
O ministro também criticou a decisão de retirar o sigilo de documentos vinculados à investigação, ressaltando que a avaliação posterior sobre a falta de irregularidades não é suficiente para corrigir os danos causados pela exposição pública. "Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas", declarou.
Gilmar Mendes considerou a resposta subsequentemente oferecida como um "reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências". Ele acrescentou que, naquele momento, o dano à reputação de Gonet já estava consumado.
O episódio também foi visto por Mendes como um reflexo de um problema mais amplo na condução das investigações, mencionando a ocorrência de "vazamentos seletivos" e questionando o andamento do inquérito em um período eleitoral.





