A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística de São Paulo (ICB) não aceitou o recebimento de 18 dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Civil em junho deste ano, relacionados a Karina da Gama, a produtora do filme 'Dark Horse', que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi revelada por meio de documentos que tiveram seu sigilo levantado pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (13).
Os aparelhos em questão incluem notebooks, celulares e pen drives, que chegaram ao ICB em embalagens separadas. Apesar dos lacres aparentarem estar intactos, os peritos identificaram aberturas nas embalagens. Em um dos trechos do termo de recusa, os especialistas afirmaram que, embora os lacres numéricos estivessem fechados, o invólucro foi mal tratado na origem, resultando em um vão que possibilitaria acesso aos dispositivos sem a necessidade de romper o selo.
A avaliação técnica indicou que o espaço era suficiente para a passagem de um cabo USB, possibilitando a extração ou a modificação dos dados armazenados. O termo de recusa menciona que, em 13 dos dispositivos, havia um vão que permitia a entrada de cabo de alimentação e a transferência de dados, evidenciando a vulnerabilidade dos aparelhos. Os dispositivos foram devolvidos à delegacia para que o lacre fosse readequado.
O levantamento do sigilo dos autos da Petição 16.669 foi determinado por Flávio Dino, permitindo que todos os documentos e provas oriundos da Justiça Estadual de São Paulo fossem divulgados. A investigação em curso analisa um suposto esquema de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro que envolve o deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Na decisão proferida, o ministro enfatizou a importância da transparência nos atos investigativos para evitar "vazamentos seletivos" e assegurar um tratamento justo entre todos os investigados. Dino também fundamentou sua decisão em uma nova interpretação jurisprudencial da Corte, apoiada por entendimentos recentes dos ministros André Mendonça e Edson Fachin.
Os registros financeiros, que foram aceitos pelo STF, revelam que a Polícia Federal em Brasília mapeou transferências de recursos públicos federais entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões para o filme 'Dark Horse'. Esta produção está vinculada à Go Up Entertainment Ltda., empresa de Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que tinha um termo de colaboração com a Prefeitura de São Paulo.





