Mercados tiveram sessão influenciada pela valorização do petróleo –
O dólar voltou a subir ante o real nesta quarta-feira (9), cotado a R$ 5,112, enquanto a Bolsa de Valores registrou baixa, em sessão influenciada pela aversão a risco no exterior, onde o preço do petróleo voltou a superar os US$ 100 desde julho em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.
O que aconteceu
Com viés positivo desde a abertura, a moeda americana terminou o dia cotada no comercial para a venda a R$ 5,112, variação de 0,51% ante fechamento de ontem, quando a divisa caiu 0,9%.
Queda do dólar ante real nas últimas sessões foi influenciada por fatores domésticos. O recuo de 2,6% desde 18 de agosto, de R$ 5,22 a R$ 5,09, foi alimentado por ajustes nas posições pelos agentes econômicos às recentes pesquisas de intenção de voto que apontaram uma disputa mais acirrada na disputa à corrida presidencial. Para analistas, esse cenário amplia expectativa de política fiscal mais conservadora ano que vem, independentemente do vencedor nas urnas.
“O que mexeu com o mercado brasileiro nos últimos dias é o acirramento da disputa presidencial, um cenário que amplia espaço para uma política fiscal mais conservadora e mais alinhada com o que a maior parte dos agentes do setor financeiro entende como ideal”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum
Investimentos
Banco Central vai atuar no mercado de câmbio amanhã. O órgão anunciou leilões simultâneos, das 9h20 às 9h25. Haverá um leilão à vista de US$ 1 bilhão e uma operação de swap cambial reverso, também no valor de US$ 1 bilhão. Com as duas operações, a oferta à vista injeta moeda americana no mercado hoje, enquanto o swap cambial equivale a uma compra es no mercado futuro pelo Banco Central.
O Ibovespa caiu. Recuando desde a abertura, o índice das ações mais negociadas da Bolsa brasileira recuou 0,93%, marcando 185.629 pontos. Ontem, o Ibovespa registrou alta firme e se aproximou de 190 mil pontos. Desde o dia 17 de agosto, o índice subiu 12,6%, superando os 187 mil pontos pela primeira vez desde 6 de maio.
Segundo Leonel Oliveira Mattos, economista da StoneX, o Brasil pode se beneficiar com esse movimento. “Embora o aumento das tensões geopolíticas costume pressionar moedas emergentes, o Brasil pode se beneficiar parcialmente desse movimento por ser exportador líquido de petróleo. Preços mais elevados da commodity tendem a ampliar as receitas com exportações e podem contribuir para uma pressão baixista sobre a taxa de câmbio”.
Já no exterior, preço do petróleo em alta tem alimentado aversão a risco. O contrato futuro mais negociado voltou a superar US$ 100 pela primeira vez desde julho em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent subiu 3,36%, a US$ 101,21.
Valorização do petróleo eleva de forma generalizada as expectativas de inflação. Os investidores conhecerão ainda nesta semana os dados da inflação dos Estados Unidos referentes a agosto. Os números “poderiam determinar as próximas decisões de política monetária” do Federal Reserve (Fed, banco central americano), segundo Jay Woods, analista da Freedom Capital Markets.
Cenário de alta de juros tem potencial para desaquecer a economia e, por tabela, o desempenho das empresas cotadas em Bolsa. Por isso, principais índices acionários recuaram hoje nos Estados Unidos e Europa.
Mercado futuro de juros no Brasil tem sessão de alta. As taxas dos juros futuros negociados na B3 sobem em todos os principais contratos na manhã desta quarta-feira, após a forte queda de ontem. Segundo operadores, o cenário externo pesa mais sobre os negócios, com o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril e os rendimentos dos Treasuries em alta, em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Corporativo
Petrobras segue favorecida pela alta do petróleo. As ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) da petroleira, que respondem por 12% do Ibovespa, subiam 0,56% no fim da tarde, entre os destaques de valorização hoje na B3. Os papéis estão ao redor das máximas cotações em quatro meses, apurando ganhos da ordem de 27% desde 7 de julho, quando engrenaram o atual ciclo de ganhos.
Alta do petróleo recoloca no radar pressão das defasagens de preços para Petrobras, diz Itaú BBA. A analista Monique Natal diz em relatório que os preços de diesel e gasolina ficaram defasados em relação ao mercado internacional. Ela calcula em 28% a defasagem do diesel e em 21% o da gasolina, ambos abaixo da referência externa, após alta do petróleo Brent na semana. A analista ressalta que a estatal pode adotar critérios próprios para sua política comercial.
Em relatório de produção, a PetroReconcavo disse que produziu, em média, 23,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia) em agosto, volume estável ante julho. Segundo a empresa, o avanço de 2,1% da produção no Ativo Bahia, para 12 mil boe/dia, compensou a queda de 1,5% no Ativo Potiguar, para 11,8 mil boe/dia. As ações da companhia subiam 1,16% no fim da tarde, a R$ 11,38.
As ações da mineradora — com peso relevante de 11% no Ibovespa — cediam 0,53% no fim da tarde, a R$ 78,60 rondando ainda seus maiores preços em dois meses. Os contratos futuros do minério de ferro em Singapura recuaram hoje, após a cotação ter superado ontem o patamar de US$ 100 por tonelada, o maior nível intradiário desde 2 de julho.
Cosan vai deixar pregão da Bolsa de Nova York. A empresa informou que protocolou na SEC o pedido de deslistagem voluntária de seus ADSs (recubos de ações) da Nyse, a Bolsa de Nova York. O último dia de negociação dos papéis será 18 de setembro, mas a companhia manterá seu programa de ADSs Nível 1, permitindo a continuidade das negociações no mercado de balcão (OTC) nos Estados Unidos. Ontem, os papéis da companhia negociados no Brasil recuaram 1,8% a R$ 3,84.
Ações do Banco do Brasil são negociadas em baixa após oito pregões de alta. Os papéis do banco público tinham queda de 1,95% no fim da tarde, cotados a R$ 22,16. Ontem, as ações fecharam no maior patamar desde 24 de abril. Mercado reage hoje ao anúncio do Banco Patagonia, controlado pelo BB, da aquisição da divisão de varejo do Banco Industrial (Bind). Na avaliação dos analistas do Citi, a operação tem relevância estratégica maior do que seu impacto financeiro.
Com informações da Uol.
Leia o resumo da notícia
Instabilidade nos Mercados e Cenário Geopolítico: O dólar subiu a R$ 5,112 (+0,51%) e o Ibovespa recuou 0,93% (185.629 pontos) em um dia marcado pela aversão global ao risco, impulsionada pela escalada militar entre EUA e Irã e a disparada do petróleo Brent acima de US$ 100.
Atuação do Banco Central e Impacto Econômico: Para conter a volatilidade do câmbio e a pressão inflacionária internacional, o Banco Central anunciou intervenção com leilões à vista e de swap reverso de US$ 1 bilhão, enquanto especialistas apontam que a alta das commodities e o acirramento da disputa presidencial brasileira trazem nuances fiscais e comerciais ao mercado interno.
Movimentações Corporativas em Destaque: As petroleiras como Petrobras e PetroReconcavo registraram alta impulsionadas pela valorização do barril — acendendo alertas de defasagem nos combustíveis —, enquanto a Cosan anunciou sua deslistagem voluntária da Bolsa de Nova York (NYSE) para operar no mercado de balcão.
Fonte:A Rede PG





