A partir de hoje, 8 de outubro, uma série de entrevistas com presidentes executivos de instituições financeiras será publicada, abordando as eleições de 2026. Executivos de bancos de investimentos independentes, fundos de previdência, gestoras e plataformas de investimento compartilham suas percepções sobre a economia, influenciadas pela demanda de seus clientes corporativos.
Um tema comum entre os entrevistados é a necessidade urgente de um ajuste fiscal. Os líderes do setor financeiro alertam que, sem a adequação dos gastos públicos à arrecadação, a pressão sobre a inflação permanecerá elevada, o que resultará em taxas de juros igualmente altas. A Selic, principal ferramenta do Banco Central para conter a inflação, acaba por restringir a circulação de dinheiro e, consequentemente, comprometer o crescimento econômico.
"A economia não aguenta mais um ano com os juros reais nesse nível", afirma Daniel Wainstein, co-CEO do Seneca Evercore, que recentemente fundou o Banco Seneca. Ele destaca que a situação se tornará insustentável com o aumento do desemprego, afetando diretamente a capacidade de investimento das empresas.
Ricardo Lacerda, CEO do BR Partners, reforça essa preocupação, afirmando que sem uma redução das taxas de juros, o Brasil poderá enfrentar uma crise ainda mais profunda. Ele menciona que a recuperação judicial de grandes empresas cria um efeito dominó, impactando também as fornecedoras menores, que enfrentam dificuldades financeiras e têm reduzido sua produção por falta de recursos.
A visão dos executivos é de que, caso o ajuste fiscal seja implementado, o efeito poderá ser semelhante ao que foi o Plano Real para a população. Marcelo Mello, outro executivo entrevistado, afirma que a queda dos juros para 7% pode aumentar o poder de compra, resultando em um aumento no investimento e na sensação de melhoria de vida para os cidadãos.
Os líderes do mercado financeiro expressam ceticismo em relação às candidaturas atuais, sem apoio explícito a nenhum dos principais candidatos. Lacerda é o único que demonstra apoio a Ronaldo Caiado em sua jornada eleitoral, enquanto as críticas a Lula são mais contundentes entre os demais entrevistados. Apesar das dificuldades econômicas, todos reconhecem que seus negócios prosperaram durante o último governo, atribuindo o crescimento a estratégias de reposicionamento em vez de um crescimento geral da economia.





