A decisão da Suprema Corte da Rússia, tomada nesta segunda-feira (10), resultou na proibição do Yabloko, o único partido que se opõe à guerra, de concorrer nas eleições parlamentares programadas para setembro. O juiz Vyacheslav Kirillov declarou que foram aceitos os pedidos para anular o registro das candidaturas do Yabloko, atendendo a uma solicitação de um partido nacionalista pró-Kremlin.
Esse partido nacionalista argumentou que a participação do Yabloko nas eleições deveria ser impedida, levando a Suprema Corte a decidir em favor da sua exclusão. A decisão gerou protestos, com cerca de 100 apoiadores da legenda contrária à guerra, em sua maioria jovens, reunindo-se em frente ao tribunal e gritando “Vergonha! Vergonha!” em resposta ao veredicto.
Nikolai Rybakov, líder do Yabloko, afirmou que o partido recorrerá da decisão judicial. Ele enfatizou a necessidade de continuar lutando para “deter as mortes e trazer a paz de volta”, afirmando que todos os esforços devem ser direcionados a essa meta.
Com a maioria dos opositores ao presidente Vladimir Putin presos, exilados ou mortos, o Yabloko se destaca como o único partido liberal ainda em atividade no país. A legenda conta com o apoio de diversas figuras da oposição que se encontram no exílio, incluindo Yulia Navalnaya, viúva do falecido líder opositor Alexei Navalny, ambos considerados “extremistas” pela Justiça da Rússia.
Uma pesquisa realizada no início deste ano revelou que o Yabloko conta com apenas 3% de apoio popular, percentual que está abaixo do mínimo de 5% necessário para garantir representação na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. A última vez que o partido obteve cadeiras na Duma foi nas eleições de 2003.
As tentativas de resolver a guerra na Ucrânia, que já se arrasta por quase quatro anos e meio, têm sido infrutíferas até o momento. Vladimir Putin insiste em suas exigências territoriais para que os combates cessem e descarta a possibilidade de negociações com o presidente ucraniano Volodimir Zelensky. Pesquisas independentes indicam que uma maioria da população russa é favorável ao início de diálogos de paz com Kiev.





