O cenário global aponta para um aumento considerável na inflação dos alimentos, impulsionado por conflitos no Irã e na Ucrânia, além do fenômeno climático El Niño. Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), revelou que a combinação do aumento dos custos com a diminuição da produtividade agrícola deve resultar em preços elevados até o final deste ano.
Torero prevê que os preços das matérias-primas agrícolas começarão a subir em breve, com um impacto significativo esperado nos preços dos alimentos já no próximo ano. O economista destaca que o efeito do aumento nos preços das matérias-primas sobre o custo final dos alimentos pode levar de três a seis meses para se manifestar.
Desde o início de 2023, os preços dos alimentos têm se mantido relativamente estáveis, com algumas regiões apresentando até uma leve redução em resposta aos altos custos de energia. No entanto, essa situação é considerada temporária. A combinação de preços elevados do petróleo bruto, a escassez de fertilizantes do Golfo, a falta de diesel em várias partes do mundo e condições climáticas extremas estão gerando pressão sobre os custos, que devem ser repassados ao consumidor.
O bloqueio do Irã ao Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o transporte mundial de petróleo e gás, tem impactado diretamente os insumos agrícolas e os sistemas de produção. O petróleo Brent, essencial para o bombeamento, armazenagem, transformação e transporte de alimentos, e o gás natural, fundamental na produção de fertilizantes, estão entre os afetados.
Adicionalmente, o conflito entre Rússia e Ucrânia tem causado danos significativos nas infraestruturas de petróleo e gás da Rússia, reduzindo a capacidade de exportação de diesel e gás natural. Essa situação tem gerado um aumento considerável nos preços de combustíveis e fertilizantes, além de incertezas sobre a disponibilidade de insumos essenciais para a produção agrícola.
O fenômeno El Niño, que se espera ser intenso neste ano, também deve alterar significativamente os padrões de precipitação, contribuindo para um agravamento da insegurança alimentar em várias regiões do mundo. Na Índia, por exemplo, a monção já apresenta atrasos, e as chuvas estão previstas para ficarem abaixo da média, o que pode impactar na produção de arroz e pressionar os preços globais das commodities agrícolas.







