O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, manifestou sua insatisfação após a Itália anunciar a suspensão da livre circulação com o país ibérico devido à crise migratória em Ceuta. Em uma carta enviada ao Executivo da União Europeia no último sábado (1º), Sánchez declarou que tal decisão foi motivada por "desinformação, ignorância ou interesses políticos".
A medida adotada pela Itália implica a reintrodução de controles de passaporte nas fronteiras aéreas e marítimas entre os dois países, e ocorreu um dia após a comunicação oficial do governo italiano. Sánchez, que pertence ao partido de centro-esquerda, classificou a reação da União Europeia à crise em Ceuta como "assimétrica", ressaltando que, embora a maioria dos países tenha demonstrado apoio e solidariedade, outros optaram por criticar a Espanha e solicitar sua exclusão temporária da Área Schengen.
No documento, o primeiro-ministro lembrou que Ceuta, um exclave espanhol localizado no norte da África, não integra a Área Schengen. Ele defendeu que a Espanha possui "uma das fronteiras externas menos permeáveis" da União Europeia, apresentando dados que indicam que o país teve "metade do número de entradas irregulares" em comparação com a Itália nos últimos anos.
Sánchez também solicitou uma reunião extraordinária entre os ministros do Interior dos 27 Estados-membros da UE, com o objetivo de definir uma resposta conjunta e reafirmar que a segurança das fronteiras externas é uma responsabilidade compartilhada.
Fernando Grande-Marlaska, ministro do Interior da Espanha, qualificou a suspensão do Acordo de Schengen como "uma ação imperdoável". Ele afirmou que a situação em Ceuta, onde pelo menos 67 corpos foram recuperados do lado espanhol e 17 do marroquino, totaliza 84 mortes confirmadas até o momento. O governo garantiu que a maioria dos que entraram irregularmente foi repatriada e que, segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, "ninguém chegou à Espanha continental ou ao restante da UE".
Apesar das declarações do governo, a situação em Ceuta continua a ser contestada pelo prefeito da cidade, Juan Jesús Vivas, que afirmou que o estado emocional da população ainda é de inquietação e preocupação, com várias pessoas ainda a serem repatriadas. Para evitar novas crises, o governo espanhol iniciou a instalação de barreiras de contenção flutuantes ao longo da costa de Ceuta, com uma extensão de 500 metros e altura variando entre 30 e 70 centímetros.







