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Auditor fiscal revela esquema de propinas na Fazenda de São Paulo em delação

Paulo Sérgio Siqueira do Prado, auditor da Receita, firmou acordo de delação premiada e expôs um esquema de propinas bilionárias envolvendo fiscais e empresas do varejo. Investigação...

O auditor fiscal de Rendas Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como PP, firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, revelando um esquema de propinas que pode superar bilhões de reais. As investigações indicam que um grupo de fiscais estava envolvido em acelerar a antecipação de créditos tributários inflacionados, beneficiando grandes empresas do varejo e do atacado em troca de altos valores.

Com a homologação do acordo, a Justiça determinou a liberação imediata de bens que estavam bloqueados, assim como a retirada de restrições impostas a PP desde o início das investigações. O auditor se aposentou em 2024 e não era apenas mais um funcionário da Receita estadual. Ele ocupou cargos de destaque, atuando como inspetor fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital desde agosto de 2014. Posteriormente, como delegado, substituiu Marcelo Bergamasco Silva em suas ausências na Delegacia Regional Tributária da Capital II, cargo atualmente ocupado por Bergamasco, que é subsecretário da Receita de São Paulo.

A delação de PP é considerada de 'potencial explosivo' pelos fiscais que circulam pelos gabinetes da Fazenda paulista. A suspeita de corrupção em larga escala na sede da Receita estadual, o Palácio Clóvis Ribeiro, gerou três operações consecutivas por parte dos promotores do Gedec, responsável por investigar delitos de natureza econômica e corrupção. Em agosto, a Operação Ícaro foi desencadeada, revelando indícios de favorecimento às empresas Ultrafarma e Fast Shop. Seguiram-se a Operação Mágico de Oz e, em março de 2026, a Operação Fisco Paralelo, que investiga cerca de 40 fiscais. O secretário Samuel Kinoshita, da Fazenda e Planejamento, demitiu cinco auditores em abril, em resposta às investigações.

PP foi alvo de buscas realizadas pelos promotores duas semanas antes do início da Operação Mágico de Oz, que ocorreu em março. As investigações também revelaram que ele participou de reuniões com a contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, conhecida como 'Nina', considerada uma figura central no esquema de propinas. 'Nina' operava um escritório de fachada em nome de sua mãe, uma professora aposentada de 74 anos, que foi utilizada como 'laranja'. Em 2021, a mãe de Artur declarou R$ 411 mil ao Imposto de Renda, mas seu patrimônio saltou para R$ 46 milhões em 2022 e atingiu a impressionante marca de R$ 2 bilhões em 2024.

Esse escritório servia para ajustes de valores com empresas interessadas em recuperar créditos tributários de ICMS-ST de forma acelerada, oferecendo comissões elevadas aos auditores fiscais envolvidos. Na época em que frequentava o escritório de 'Nina', PP ocupava a função de delegado regional tributário do Butantã, na DRTC III.

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