As Forças Armadas da Alemanha, conhecidas como Bundeswehr, estão em busca urgente de novos recrutas, especialmente mulheres. No entanto, o interesse feminino pela carreira militar tem sido escasso, em grande parte devido a questões relacionadas ao assédio e ao sexismo enfrentados por aquelas que já estão na instituição. Jovens mulheres em Berlim relataram que essa realidade as desanima a considerar a entrada nas Forças Armadas. Uma delas mencionou que "não se encaixa nos meus planos de estudo e trabalho", enquanto outra expressou sua aversão ao conceito de guerra.
A presença feminina nas Forças Armadas alemãs é de apenas 13,7% do total de militares, e nas tropas de combate, esse percentual é ainda menor, atingindo 10%. Esses números estão aquém da meta estabelecida pela Bundeswehr, que visa chegar a 20% de mulheres até 2025. O Comissário de Defesa do Parlamento Federal da Alemanha, em seu relatório anual, apontou uma redução no número de candidatas em relação ao ano anterior, evidenciando a dificuldade da instituição em atrair novos talentos femininos.
O prazo para aumentar o efetivo militar é curto, pois a Alemanha planeja incrementar em pelo menos 75 mil soldados até 2035, em um esforço para fortalecer sua defesa nacional e atender às exigências da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Apesar dos esforços intensivos de recrutamento, o sucesso entre as mulheres tem sido limitado. A parlamentar Sara Nanni, porta-voz do Partido Verde para assuntos de defesa, destacou que, se o número de mulheres interessadas em se alistar fosse igual ao de homens, a discussão sobre falta de pessoal não seria necessária.
Entre os obstáculos que afastam as mulheres da carreira militar, Nanni mencionou a dificuldade em equilibrar a vida profissional e pessoal. A parlamentar também ressaltou que a falta de exemplos femininos inspiradores na liderança militar pode ter um impacto significativo nas taxas de recrutamento feminino.
Embora atualmente existam mais de 25 mil mulheres servindo na Bundeswehr, a representação feminina em cargos de liderança é desanimadora. Apenas três mulheres ocupam o posto de general dentre um total de 220 generais e almirantes. Nicole Schilling, a vice-inspetora-geral da Bundeswehr, é a mais alta patente feminina na instituição e defende a importância de uma equipe mista para melhorar os resultados gerais da organização.







