O brasileiro João Guilherme Correa, condenado pela morte de um casal em 2009 durante uma disputa interna entre integrantes de um grupo neonazista na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi preso neste sábado (27) em Milão, na Itália. Ele estava foragido da Justiça brasileira desde março de 2025, quando foi condenado a 35 anos, dois meses e 15 dias de prisão.
A prisão foi realizada por autoridades italianas após o condenado ser localizado em uma propriedade rural na província de Pavia. No momento da abordagem, Correa apresentou um documento de identidade falso, que não era brasileiro, segundo informações divulgadas pela imprensa italiana.
Apontado como integrante de destaque da organização extremista Hammerskin Nation, fundada nos Estados Unidos no fim da década de 1980, Correa era considerado foragido internacional desde que deixou o Brasil. Parlamentares italianos classificaram a prisão como um avanço no combate ao neonazismo, ao racismo e aos crimes motivados pelo ódio.
O caso que levou à condenação ocorreu em 21 de abril de 2009. Renata Waechter Ferreira, de 21 anos, e Bernardo Dayrell Pedroso, de 24, foram assassinados a tiros às margens da BR-116, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.
As investigações apontaram que o casal participava de uma festa realizada em uma chácara de Campina Grande do Sul para marcar o aniversário de Adolf Hitler. Durante o evento, as vítimas foram convencidas por integrantes do grupo a deixar o local. Elas seguiram em um veículo acompanhadas pelos criminosos e foram executadas no acostamento da rodovia.
De acordo com o Ministério Público, o crime foi motivado por uma disputa pela liderança do grupo neonazista. Bernardo, estudante de Direito e considerado um dos integrantes mais influentes da organização, vinha divergindo das ações violentas praticadas contra homossexuais e travestis em Curitiba e pretendia se afastar do movimento.
Além de João Guilherme Correa, Jairo Maciel Fischer e Ricardo Barollo também foram condenados pelo duplo homicídio e presos durante o julgamento. Apontado como mandante, Barollo recebeu pena de 48 anos e nove meses de prisão. Conforme a investigação, ele exercia posição de liderança na organização e ordenou a execução do casal.
Um dos executores morreu durante a tramitação da ação penal. O processo se estendeu por quase 16 anos, período em que ocorreram prisões, recursos e sucessivos adiamentos do julgamento até a condenação definitiva dos envolvidos.
Com a prisão de João Guilherme Correa na Itália, caberá às autoridades brasileiras e italianas dar andamento aos procedimentos legais para definir sua eventual extradição e o cumprimento da pena imposta pela Justiça brasileira.
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Fonte:Paraná Jornal







