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Estudantes da Faculdade de Direito da USP encerram greve após 35 dias

Após votação, alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo decidiram pelo fim da greve que durou 35 dias, com reivindicações voltadas à permanência estudantil...

Na noite da última sexta-feira, 29, os estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar a greve que havia sido iniciada em abril. A votação, que resultou em 370 votos a favor do encerramento e 324 contrários, culminou em uma paralisação que interrompeu as aulas na Faculdade do Largo de São Francisco, localizada no centro de São Paulo. Durante o movimento, os alunos levantaram diversas reivindicações, incluindo questões relacionadas à permanência estudantil, à infraestrutura da unidade e a políticas afirmativas.

A greve teve início após uma assembleia convocada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, realizada em 23 de abril, onde a paralisação foi aprovada com 902 votos a favor e 459 contra. Desde o dia seguinte, as atividades acadêmicas foram suspensas. Entre as reivindicações destacadas estavam melhorias no refeitório universitário, reformas no prédio da faculdade, o aumento do auxílio de permanência estudantil para o equivalente ao salário mínimo paulista, que atualmente é de R$ 1,8 mil, além da ampliação de bolsas acadêmicas e melhor execução das ações afirmativas.

No início do movimento, os alunos apresentaram à diretoria da faculdade um relatório que evidenciava problemas estruturais, como carteiras quebradas, goteiras, fios expostos, mofo e buracos nas paredes, incluindo no salão nobre. Em resposta, a diretora da Faculdade de Direito, Ana Elisa Liberatore Bechara, declarou que a gestão estava sempre aberta ao diálogo e à mobilização, buscando soluções e mantendo uma escuta ativa dos estudantes.

Um dos principais pontos de discórdia nas negociações referia-se ao Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, destinado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A reitoria sugeriu um reajuste anual com base na inflação da cidade de São Paulo, propondo um aumento do auxílio integral de R$ 885 para R$ 912, com um acréscimo de aproximadamente R$ 31. No entanto, os estudantes pleiteavam um reajuste que se aproximasse do salário mínimo paulista.

Além das questões financeiras, a USP também apresentou propostas relativas ao funcionamento dos restaurantes universitários, incluindo a formação de grupos para avaliar a qualidade das refeições e o atendimento prestado. Durante o período de greve, que se estendeu por 35 dias, atividades de pós-graduação, bancas de defesa e consultas à biblioteca seguiram normalmente, conforme informado pela direção da faculdade, enquanto as disciplinas da graduação permaneceram suspensas. Ana Elisa mencionou que a paralisação acarretou “inegáveis prejuízos” e que não seriam toleradas ameaças ou hostilidades contra alunos, funcionários ou docentes.

Durante a greve, o Centro Acadêmico organizou uma série de atividades alternativas, como rodas de conversa, exibição de filmes, campeonatos de pebolim e xadrez, além de assembleias estudantis. Com a votação favorável ao encerramento da greve, a expectativa é de que as atividades letivas sejam retomadas na Faculdade de Direito da USP após mais de um mês de interrupção.

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