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Chuvas em SP e PR comprometem a qualidade do café, alerta Cepea

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que as chuvas nos estados de São Paulo e Paraná podem afetar a qualidade da safra de...
Foto: Freepik

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) alertou que as chuvas recentes nos estados de São Paulo e Paraná podem impactar negativamente a qualidade da safra de café. Além disso, a instabilidade climática está dificultando o andamento dos trabalhos de campo nas regiões produtoras. Uma análise técnica da instituição revela que o aumento das precipitações eleva consideravelmente o risco de perdas na produção, especialmente no norte do Paraná, onde a colheita enfrenta desafios logísticos nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026.

Produtores paranaenses já estão observando uma leve perda na classificação física e sensorial dos grãos devido ao excesso de umidade. Esse fator é crítico para a cafeicultura de qualidade, pois pode levar à fermentação indesejada dos frutos, tanto na planta quanto durante a colheita, alterando o sabor final da bebida e reduzindo seu valor no mercado.

A situação no interior paulista, especialmente na região de Marília, também gera preocupações entre especialistas e agricultores. O receio principal é que as chuvas atinjam grãos que já caíram ao solo, um fenômeno conhecido como café de chão, que pode ocorrer naturalmente ou durante o início da colheita. Quando os grãos maduros entram em contato com a terra úmida, há um aumento significativo na proliferação de fungos, o que pode levar à deterioração da carga.

Além disso, o solo encharcado dificulta o tráfego de máquinas e a colheita mecanizada, atrasando o cronograma das fazendas e elevando os custos operacionais, especialmente em relação ao combustível e às diárias de campo. Enquanto isso, o sul de Minas Gerais apresenta um quadro mais favorável, sendo reconhecido globalmente como o principal polo produtor de café arábica do Brasil, que é valorizado por seu sabor suave e aroma intenso.

Apesar das dificuldades climáticas enfrentadas nas regiões paulista e paranaense, a expectativa do setor produtivo é de que as condições meteorológicas comecem a se estabilizar nas próximas semanas. Uma pausa nas chuvas é considerada urgente para que as atividades nas fazendas de café possam retomar a agilidade e o rendimento operacional adequados.

A normalização do clima é essencial para minimizar os impactos negativos na rentabilidade dos produtores e evitar cortes significativos na estimativa total da safra brasileira. O mercado global de café está atento ao comportamento das frentes frias e ao risco de geadas precoces, uma vez que a qualidade do grão é o principal diferencial competitivo do Brasil no cenário internacional.

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