A segurança dos pilotos em monopostos elite passou por transformações significativas na última década, destacando a implementação de dispositivos de proteção para a cabeça. O Aeroscreen, utilizado na IndyCar, e o Halo, adotado pela Fórmula 1 e outras categorias da FIA, exemplificam dois tipos de abordagens que, apesar de compartilharem o mesmo objetivo de reduzir o risco de ferimentos fatais, foram desenvolvidas com base em filosofias de design distintas. Essas diferenças surgem das características únicas de cada campeonato, como a predominância de circuitos ovais nos Estados Unidos e circuitos mistos na Europa, impactando diretamente as soluções técnicas adotadas.
O aumento das discussões sobre a proteção do cockpit foi impulsionado por uma série de acidentes trágicos ocorridos entre 2009 e 2015. Incidentes como os de Henry Surtees e Felipe Massa em 2009 na Fórmula 2 e Fórmula 1, respectivamente, e os falecimentos de Dan Wheldon (IndyCar, 2011), Jules Bianchi (F1, 2014) e Justin Wilson (IndyCar, 2015) evidenciaram a necessidade urgente de proteção adicional contra impactos de detritos.
O Desenvolvimento do Halo se deu através de testes realizados pela FIA entre 2016 e 2017, que incluíram diferentes conceitos, como o Aeroscreen original testado pela Red Bull e o Shield testado pela Ferrari. O Halo foi escolhido por proporcionar a melhor combinação de proteção contra objetos grandes e boa visibilidade, sendo estabelecido como obrigatório na Fórmula 1 a partir de 2018.
Por outro lado, a IndyCar identificou que a proteção oferecida apenas pelo Halo não seria suficiente contra pequenos detritos, como a peça que causou a morte de Justin Wilson. Para uma solução mais robusta, a IndyCar, em colaboração com a Red Bull Advanced Technologies, desenvolveu o Aeroscreen, que combina a estrutura do Halo com uma tela balística, estreando oficialmente na temporada de 2020.
Para entender as distinções entre o Aeroscreen e o Halo, é fundamental analisar seus aspectos construtivos e propósitos balísticos. Ambos os dispositivos são fixados ao chassi monocoque e confeccionados em titânio aeroespacial, mas suas aplicações e características operacionais variam consideravelmente. O sistema Halo, utilizado na Fórmula 1, tem um peso padrão de 125 kg, enquanto o Aeroscreen da IndyCar também incorpora um sistema de tear-offs e requer soluções de refrigeração, devido à obstrução do fluxo de ar ao piloto.
O Aeroscreen possui camadas de filmes plásticos que podem ser removidas durante os pit stops, ajudando a limpar sujeira, óleo e insetos que podem obstruir a visão do motorista. Além disso, a IndyCar precisou adaptar dutos de ar e mangueiras conectadas ao capacete para resfriar os pilotos e evitar o superaquecimento nas corridas.







