Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi detida após agredir Samara Regina, uma jovem de 19 anos, contratada para realizar serviços de limpeza em sua residência na Grande São Luís, Maranhão. O acordo inicial previa um mês de trabalho, com jornada de segunda a sábado, das 9h às 19h, mas sem definição clara sobre o pagamento. A funcionária relatou que trabalhou durante duas semanas, totalizando dez horas diárias, e deveria receber R$ 750. No entanto, ao final do período, em vez do pagamento, foi recebida com agressões e humilhações.
O crime não se limitou ao espaço privado. Carolina, que se autodenominava “sinhá digital”, gravou áudios relatando o ocorrido e compartilhou com um grupo de amigas, demonstrando uma confiança alarmante em sua impunidade. A situação se agravou quando Carolina acusou Samara de roubar um anel e, no dia 17 de abril, convocou um policial para intervir na situação. O agente, Michael Bruno Lopes Santos, chegou ao local armado, .
Durante mais de uma hora, Samara foi submetida a torturas enquanto a suposta joia era procurada, mesmo após ser encontrada no cesto de roupas sujas. Além das agressões físicas, o caso revela um padrão de comportamento de Carolina, que já acumulava aproximadamente dez processos judiciais por situações semelhantes, incluindo uma condenação em 2024 pela calúnia contra uma ex-babá, resultando em uma indenização de R$ 4 mil e seis meses de reclusão convertidos em serviços comunitários.
A prisão de Carolina foi determinada pela Central das Garantias da Comarca da Ilha de São Luís, que manteve a decisão tomada na última quinta-feira (7). Ela foi detida enquanto tentava deixar o Maranhão. O policial envolvido também se entregou e foi preso. A imagem da acusada sendo levada pela polícia contrasta fortemente com sua presença nas redes sociais, onde se mostrava como uma figura de autoridade e controle.
As agressões e a exploração do trabalho doméstico retratadas neste caso são um espelho de práticas que, embora não mais aceitáveis, ainda persistem na sociedade. Enquanto Carolina Sthela pode não enfrentar uma longa pena, a esperança é que o episódio sirva como um alerta sobre a necessidade de justiça e proteção aos direitos dos trabalhadores, especialmente aqueles que se encontram em situações vulneráveis.






