A intensificação do fenômeno El Niño, prevista para os próximos meses, gera preocupação no agronegócio brasileiro, especialmente no Paraná. A expectativa é de que as condições climáticas impactem diretamente a produtividade e o calendário agrícola da região. Com o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial e a maior probabilidade de ocorrência a partir do segundo semestre de 2026, os produtores já se preparam para um cenário de incertezas que pode afetar a safra e, consequentemente, o PIB rural.
Embora o fenômeno El Niño ocorra em ciclos, análises recentes sugerem que os impactos desta vez podem ser mais intensos e menos previsíveis, aumentando os riscos para a safra 2026/27. O início do ciclo agrícola, marcado para 1º de julho, coincide com a possível consolidação do fenômeno, criando um ambiente desafiador para o planejamento do plantio.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que provoca alterações nos padrões de circulação atmosférica em escala global. Esse fenômeno gera mudanças significativas nos regimes de chuvas em diversas localidades, um efeito conhecido como teleconexão climática. Para o Sul do Brasil, e em particular para o Paraná, a tendência histórica é de aumento no volume de chuvas, especialmente durante a primavera e o verão.
De acordo com o professor Pedro Fontão, do Departamento de Geografia da UFPR, modelos climáticos indicam uma probabilidade superior a 60% de formação do El Niño a partir de junho ou julho. Essa perspectiva sugere que as estações chuvosas da primavera e do verão, já naturalmente úmidas na região centro-sul, podem ter volumes de precipitação ainda mais elevados.
Fontão alerta que a imprevisibilidade do fenômeno pode causar prejuízos aos agricultores. "O agricultor trabalha melhor com previsibilidade, e isso não acontece em anos de El Niño. Há uma oscilação no padrão climático que foge do que ele está acostumado, o que pode gerar prejuízos", explica. Essa oscilação climática requer um monitoramento constante e um planejamento estratégico eficaz por parte dos produtores.
Diante desse cenário, é fundamental que os agricultores equilibrem cautela e estratégia. A próxima safra promete ser menos previsível e potencialmente mais desafiadora, destacando a importância de ferramentas de previsão, manejo adequado do solo e a escolha de cultivares mais resistentes para mitigar os riscos associados ao fenômeno.







