O Ministério Público do Rio de Janeiro formalizou uma denúncia contra dez policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) em virtude de irregularidades cometidas durante uma operação no Complexo da Maré, ocorrida em janeiro do ano passado. Os policiais são acusados de crimes que incluem violação de domicílio, descumprimento de missão e recusa de obediência. A acusação se baseia em mais de dez horas de gravações feitas pelas câmeras corporais dos próprios agentes.
As IMAGENS capturadas mostram que mais de dez residências foram invadidas sem a devida autorização dos moradores ou qualquer ordem judicial. Os registros revelam portas arrombadas ou abertas com chaves especiais, além de situações em que moradores foram surpreendidos em seus quartos enquanto dormiam. Durante as invasões, objetos foram revirados e jogados ao chão pelas equipes policiais.
Além das entradas ilegais nas moradias, os vídeos também mostram comportamentos que contrariam os protocolos da corporação. Em um dos trechos, policiais aparecem relaxando no sofá de uma residência. Em outra cena, um agente abre a geladeira para pegar uma bebida, enquanto um colega mexe em uma estante e comenta sobre uma caixa de bebidas. Também foi registrado um policial operando em um cômodo sem a parte superior da farda.
A promotoria ressalta que as irregularidades podem ser ainda mais extensas, uma vez que houve tentativas de manipulação das provas. Em determinados momentos, as câmeras corporais foram desviadas intencionalmente ou obstruídas para evitar o registro das ações. Um dos áudios captados revela um agente se referindo ao equipamento como uma "armadilha".
Diante das evidências apresentadas, o caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar, que confirmou ter apurado os fatos. O processo seguirá agora para a Auditoria de Justiça Militar. A denúncia do Ministério Público visa a responsabilização dos envolvidos pela conduta inadequada durante a missão no Complexo da Maré.





