O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma conversa com a imprensa em Hannover, na Alemanha, manifestou que o Brasil poderia adotar a "reciprocidade" após a expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos. Lula se referiu à situação envolvendo a prisão de Alexandre Ramagem, ex-deputado federal que é foragido da Justiça brasileira. "Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", afirmou o presidente.
Na segunda-feira, dia 20, Marcelo Ivo foi convidado a deixar os EUA após sua atuação na prisão de Ramagem, ocorrida na semana anterior. O Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano confirmou a expulsão, alegando que nenhum estrangeiro tem o direito de manipular o sistema de imigração do país para contornar pedidos de extradição e realizar perseguições políticas.
O delegado da Polícia Federal (PF) estava nos Estados Unidos em uma missão oficial como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Entretanto, a PF não recebeu explicações detalhadas sobre os motivos da expulsão de Ivo.
Alexandre Ramagem foi detido pelo ICE no dia 13 de abril, em Orlando, na Flórida, e foi condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Por ter solicitado asilo nos EUA, sua extradição não foi imediata. A PF confirmou a prisão de Ramagem, ressaltando que a ação foi realizada em cooperação com as autoridades americanas.
Após sua detenção, Ramagem foi liberado em 15 de abril, alegando que sua prisão se deu por questões migratórias. Em um vídeo, ele agradeceu a pessoas que o ajudaram a demonstrar às autoridades dos EUA que estava regular no país, incluindo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que prestou apoio à sua família durante o período de detenção.
Eduardo Bolsonaro comentou que as autoridades americanas decidiram pela liberação de Ramagem após analisarem o caso, afirmando que não havia justificativa para a prisão. Em suas declarações, Ramagem criticou a PF, mencionando que a instituição, antes respeitada, agora se comporta como uma "polícia de jagunços", referindo-se ao diretor-geral Andrei Rodrigues.





