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Delcy Rodríguez: a arte de equilibrar poder na Venezuela

A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tem enfrentado o desafio de equilibrar seu governo entre a pressão interna e as expectativas dos Estados Unidos desde que assumiu...

Delcy Rodríguez, que ocupa a presidência da Venezuela desde janeiro de 2026, tem se mostrado hábil em navegar pelas complexidades do poder no país. Sua ascensão ao cargo ocorreu após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, e desde então, ela tem buscado equilibrar sua gestão entre as demandas internas e as expectativas do governo americano. Eleita vice-presidente ao lado de Maduro nas controversas eleições de 2024, sua principal preocupação é evitar conflitos com o governo de Donald Trump.

Nos primeiros meses de sua administração, Delcy promoveu alterações significativas em vários ministérios e no alto comando militar, mudando mais de um terço da estrutura do Executivo. As mudanças mais marcantes ocorreram no Ministério da Defesa e no Ministério das Indústrias e Produção Nacional. Em março, Vladimir Padrino López, que ocupava o cargo de ministro da Defesa desde 2014, foi demitido, um movimento que sinaliza a intenção de Delcy de remodelar a gestão do país.

Padrino López foi posteriormente nomeado ministro do Poder Popular para a Agricultura Produtiva e Terras em 13 de abril, substituindo Julio León Heredia. Essa transição é vista como uma tentativa de demonstrar aos Estados Unidos que a configuração do governo está mudando, ao mesmo tempo em que Delcy procura manter a aparência de resistência ao controle norte-americano. Trocar um ministro da Defesa por um cargo menos estratégico evidencia um “rebaixamento elegante”, mantendo as aparências de continuidade no chavismo.

A nomeação de Gustavo González López para o Ministério da Defesa, por sua vez, também é significativa. Embora González López tenha laços com a ditadura de Maduro, sua atuação anterior foi mais voltada para a inteligência e contrainteligência, o que pode indicar uma mudança nas dinâmicas do poder militar. Ele já ocupava o Ministério do Comércio Nacional antes dessa nova função, o que pode reforçar a estratégia de Delcy em manter o controle sobre os centros de poder do regime.

Além disso, Delcy enfrenta um dilema constitucional em seu governo. Seu mandato, considerado temporário, deveria ter um prazo máximo de 90 dias, que já foi ultrapassado. O governo justifica a ausência de novas eleições com a alegação de que o país vive uma “ausência forçada” de Maduro, preso nos Estados Unidos. Essa justificativa permite que Delcy evite a convocação de eleições imediatas, transferindo parte da responsabilidade política para o governo norte-americano.

Nesse cenário, a manobra política de Delcy parece servir tanto aos interesses de Washington quanto aos seus próprios, permitindo que ela mantenha o controle sobre a Venezuela enquanto navega pelas águas turbulentas da política internacional.

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