O governo de Luiz Inácio Lula da Silva optou por não avançar com a inclusão da Caixa Econômica Federal no mercado de apostas online, afastando a estatal do setor até 2026. Essa decisão reflete uma estratégia política em um contexto eleitoral, onde o presidente busca limitar o crescimento das apostas esportivas no Brasil. Em abril, Lula manifestou sua disposição de fechar as casas de apostas, caso essa fosse uma escolha direta dele.
Interlocutores do governo argumentam que o aumento das apostas online está associado ao crescente endividamento das famílias brasileiras. Esse cenário pode impactar negativamente as medidas populares que estão sendo implementadas, como a expansão da isenção do Imposto de Renda e a proposta de alteração da jornada de trabalho, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados.
Além das implicações econômicas, o tema das apostas esportivas também assume um caráter político significativo para o ano de 2026. A percepção é de que um discurso contrário às casas de apostas pode unir eleitores conservadores e do segmento evangélico. Para reforçar essa posição, o PT (Partido dos Trabalhadores) apresentou recentemente um projeto de lei na Câmara visando a proibição das bets.
Com a orientação do governo, a Caixa não deve ingressar no mercado de apostas esportivas. A estatal, que já havia se preparado para atuar no setor, investiu cerca de R$ 30 milhões para obter uma autorização provisória e registrou marcas junto ao Ministério da Fazenda em 2024. Essa outorga é válida até 2029.
Aqueles que defendem a entrada da Caixa no setor argumentam que a instituição poderia operar de maneira responsável, promovendo jogos conscientes e destinando recursos para políticas públicas, algo que não é garantido pelas demais empresas do setor. A Caixa, por sua vez, declarou que está constantemente avaliando, de forma responsável e em conformidade com o ambiente regulatório, as possíveis oportunidades de atuação no mercado.





