Um levantamento realizado com registros da Polícia Civil de São Paulo identificou que, nos anos de 2023 e 2024, ocorreram 50.805 casos de violência doméstica associados ao consumo de álcool. A média é de 2.100 registros mensais, o equivalente a 70 ocorrências diárias.
A análise, feita pelo Instituto Sou da Paz e pela ACT Promoção da Saúde, aponta que o uso de álcool não apenas aumenta as chances de agressões, mas também está ligado à maior gravidade dessas situações. O estudo visa contribuir com evidências para o debate sobre a tributação de bebidas alcoólicas e a necessidade de políticas públicas para reduzir o uso nocivo do álcool e proteger mulheres em situação de violência.
Do total de ocorrências analisadas, 55,4% foram classificadas como violência doméstica, enquanto 43,1% referem-se a lesão corporal. Casos de estupro representaram 0,9%, e feminicídios e outros crimes somaram 0,5% e 0,1%, respectivamente. Entre os 467 casos de feminicídio, 35% estavam associados ao uso de álcool.
O pesquisador Bruno Langeani destaca que o álcool impacta o comportamento do agressor e pode interferir na defesa da vítima e na avaliação de riscos, aumentando a violência. Embora o estudo não tenha avaliado a relação do álcool com outros crimes, uma pesquisa da USP de 2018 revelou que 55% das vítimas de mortes violentas estavam sob efeito de álcool ou drogas.








