O palhaço Zequinha de Curitiba, conhecido por sua roupa azul e gravata-borboleta vermelha, é um ícone da identidade curitibana. Criado entre 1928 e 1929 pelos irmãos Sobania, o personagem surgiu em uma cidade com apenas 100 mil habitantes, marcada por bondes e ruas sem asfalto.
Ao longo de sua história, as figurinhas do Zequinha, que somam cerca de 1.200 ilustrações, documentaram a evolução de Curitiba, apresentando o palhaço em diversas funções, como ferreiro e médico. Isso reflete o processo de urbanização e modernização da metrópole paranaense.
A evolução visual do personagem envolveu três artistas principais. O litógrafo Alberto Thiele criou as primeiras 50 imagens, seguido por Paulo Carlos Rohrbach na década de 1940. Em 1979, Nilson Muller modernizou o Zequinha, suavizando seus traços e introduzindo novos conceitos, eliminando representações polêmicas do passado.
Atualmente, o legado do Zequinha é objeto de estudos acadêmicos e preservação histórica. A pesquisadora Camila Jansen utilizou as figurinhas em seu doutorado na UFPR, resultando no livro “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora”, publicado no final de 2024. O acervo histórico do personagem está preservado na Casa da Memória de Curitiba, e a família de Nilson Muller planeja curadorias futuras para manter viva a memória do palhaço.





