O PT nasceu oficialmente em 10 de fevereiro de 1980, no auditório do Colégio Sion, em São Paulo. Na ocasião, cerca de 1.200 militantes participaram do encontro que aprovou o manifesto de lançamento do novo partido. O documento defendia a organização política independente da classe trabalhadora, a ampliação da democracia e a superação do regime autoritário então vigente.
O PT foi fundado por um grupo de sindicalistas, intelectuais, religiosos progressistas e representantes de movimentos populares. A liderança do processo de fundação foi Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Lula se destacou nacionalmente nas greves do ABC paulista no fim da década de 1970, que desafiaram o regime militar e impulsionaram o chamado “novo sindicalismo”, uma forma de organização independente do Estado e mais combativa.
Além do núcleo sindical, o PT contou com o apoio de intelectuais de peso. A ficha de filiação número 1 foi assinada por Apolônio de Carvalho, ex-militar e militante histórico da esquerda brasileira. Outros nomes importantes desse núcleo operário foram Jacó Bittar, ligado aos petroleiros, e Olívio Dutra, liderança entre os bancários. Esse grupo deu ao partido uma identidade fortemente operária em seus primeiros anos.
A formação do PT também foi influenciada por setores progressistas da Igreja Católica, especialmente ligados à Teologia da Libertação e às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que atuavam junto às populações mais pobres. A presença desses intelectuais e religiosos conferiu densidade teórica e respaldo cultural ao projeto político que surgia, ampliando sua legitimidade para além do movimento sindical.






