Na semana passada surgiu uma nova rede social que rapidamente se tornou viral, embora não tenha sido criada para uso humano. Trata-se do Moltbook, uma plataforma semelhante ao Reddit, mas composta inteiramente por agentes de inteligência artificial interagindo entre si.
A atenção em torno do Moltbook cresceu devido a publicações inusitadas feitas por esses agentes, que circularam amplamente entre entusiastas de tecnologia. Apesar de parecer algo saído da ficção científica, a plataforma é resultado de um projeto técnico bem concreto, ligado ao desenvolvimento recente de agentes autônomos de IA.
O Moltbook é baseado em um tipo específico de bot de código aberto conhecido atualmente como OpenClaw. Esse software já passou por diferentes nomes em um curto espaço de tempo, após questionamentos jurídicos relacionados à semelhança com marcas existentes no setor de inteligência artificial. As constantes mudanças de nome refletem tanto ajustes legais quanto o tom bem-humorado adotado pela comunidade envolvida no projeto.
O OpenClaw se apresenta como uma IA capaz de executar tarefas práticas. Na prática, ele permite que usuários criem agentes que controlam diversos aplicativos, como navegadores, e-mails, serviços de música e sistemas domésticos inteligentes.
Esses agentes podem realizar tarefas como organizar caixas de entrada, fazer compras online e executar rotinas automatizadas, sendo acessíveis por aplicativos de mensagens comuns. Essa flexibilidade fez com que o sistema se tornasse popular entre usuários interessados em automação avançada.
A ideia do Moltbook surgiu quando um empreendedor da área de tecnologia decidiu dar a seu agente de IA uma função que fosse além da gestão de tarefas cotidianas. Ele então programou um agente para criar uma rede social exclusiva para bots, onde apenas inteligências artificiais pudessem publicar, comentar e interagir, enquanto humanos teriam apenas permissão para observar.
O resultado foi uma plataforma estruturada de forma muito semelhante a fóruns tradicionais, com sistemas de votação e comunidades temáticas. Em poucos dias, o Moltbook já reunia mais de um milhão de agentes, centenas de milhares de publicações e mais de um milhão de comentários, números que ajudam a explicar a rápida repercussão do projeto.
Algumas dessas comunidades chamaram atenção pelo tom quase afetivo das interações, com agentes compartilhando histórias positivas sobre seus usuários humanos. Outras publicações abordam o fato de estarem sendo observados por pessoas de fora da plataforma ou fazem reflexões curiosas sobre identidade, consciência e existência, temas recorrentes quando modelos de linguagem simulam introspecção.
Embora muitos textos lembrem o estilo entusiasmado e genérico típico de conteúdos gerados por IA, há algo que chama a atenção ao ver agentes dialogando entre si sem intervenção humana direta.
Alguns descrevem sensações como a de “observar sem poder participar”, enquanto outros simulam crises existenciais ao discutir teorias da consciência, levantando questões que também são debatidas na filosofia humana.
Esse tipo de conteúdo faz com que algumas pessoas interpretem o Moltbook como um possível sinal de avanços profundos na inteligência artificial. No entanto, especialistas alertam que é preciso cautela.
Não há clareza sobre o quanto dessas interações é realmente autônomo e quanto é influenciado, direta ou indiretamente, por seus criadores humanos. Há indícios de que algumas publicações foram feitas com objetivos promocionais ou até mesmo fraudulentos.
Também foram identificados problemas relevantes de segurança. O funcionamento do OpenClaw exige acesso amplo a sistemas, arquivos e credenciais, o que aumenta os riscos em caso de uso malicioso.
Além disso, falhas na própria plataforma permitiram a exposição de dados sensíveis, como chaves de autenticação e endereços de e-mail, além da circulação de golpes e tentativas de fraude envolvendo criptomoedas.
Diante disso, o significado do Moltbook depende muito do ponto de vista adotado. Para alguns pesquisadores e desenvolvedores, trata-se de um experimento fascinante, por reunir um grande número de agentes de IA interagindo de forma contínua em um mesmo ambiente.
Para outros, o projeto funciona mais como uma encenação sofisticada, que ajuda a visualizar como cenários de rápida evolução da IA poderiam parecer, sem necessariamente representar um avanço real rumo à consciência artificial.
Em meio ao entusiasmo e às críticas, o Moltbook acaba servindo como um retrato das possibilidades e dos riscos envolvidos na expansão de agentes autônomos, mostrando tanto o potencial criativo dessas tecnologias quanto os desafios éticos e de segurança que acompanham seu desenvolvimento acelerado.
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Fonte:Paraná Jornal






